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ENEM 2021: Especialistas avaliam os dois dias de prova

No último domingo (28), milhares de estudantes participaram do segundo dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Para entender como ocorreu a edição de 2021, conversamos com João Vianney e Juliana Evelyn, diretores no Blog do ENEM. Confira:

Como você avalia o nível de dificuldade das provas aplicadas?

Segundo João Vianney, diretor no blog do ENEM, os alunos estão dizendo que a prova foi mais fácil do que nos anos anteriores. Isso ocorre porque tivemos menos questões interdisciplinares. Então, a natureza do ENEM, historicamente, é uma questão interdisciplinar aplicada a uma situação da vida. Então, isso exigia do aluno uma integração de competências e de conhecimentos. Este ano, tivemos menos questões desse formato e mais questões intradisciplinares, que demandam por resoluções mais objetivas. Considerando os aspectos mencionado, o formato da prova de 2021 é ruim para o ENEM porque a perspectiva do exame não é avaliar se o aluno consegue resolver uma questão de regra de 3 mas sim, se sele consegue resolver uma questão de regra 3 aplicada a uma situação da vida.

Acredito que a prova do ENEM deva ser inteligente e não conteudista, visto que os jovens devem ser cada vez melhores que as gerações passadas. Portanto, não podemos exigir que os alunos respondam da mesma forma que nós, de gerações mais velhas, responderíamos, eles precisam responder melhor. Nosso papel como mais velhos é fazer com que os jovens sejam melhores do que nós, portanto, nessa perspectiva, a prova do ENEM envelheceu e não foi desafiadora para os participantes.

Que novidades o exame trouxe para os estudantes neste ano?

Com relação ao primeiro dia de prova, tivemos a notável ausência de questões relativas a questões que eram recorrentes no ENEM, como o período de ditatura e os 50 anos de história recente do Brasil, como destaca Juliana, diretora pedagógica no blo do ENEM. É um fato notável porque esses temas eram abordados com frequência nas provas de ciências humanas, especialmente, e que estiveram ausente nesta edição. Já no segundo dia, não tivemos grandes novidades, foram cobrados conteúdos que, frequentemente, aparecem. Na prova de matemática, por exemplo, foram trazidas tabelas, questões envolvendo gráficos, questões de geometria plana e espacial.

Eu destacaria, também, um ponto bastante interessante. Observei que, neste ano, existiu uma variedade menor de questões e de temas, o que pode indicar a escassez de questões novas no banco do INEP. Além disso, na minha área, que é a biologia, caíram 4 questões relativas à botânica, que é um tema que não esperamos ver com tanta frequência em uma única prova. Questões muitos conteudistas, o que não é tradicional do ENEM, especialmente na biologia. Na minha opinião, na área da biologia as questões eram muito específicas, o que tornava difícil, já que o aluno precisava usar muitos conteúdos do ensino médio, além da interpretação para responder.

A prova estava dentro das expectativas dos professores e alunos?

A prova de 2021 trazia o mito de que mito de que seria fora do padrão na perspectiva das ciências humanas e da ideologia, destaca João. No entanto, isso não aconteceu, a prova teve neutralidade política, o que foi muito positivo. Seria extremamente negativo para todos se a prova estivesse enviesada para algum lado. Portanto, na perspectiva da ideologização na prova, ela não aconteceu.

Na perspectiva das ciências da natureza, a prova veio mais fácil do que em edições anteriores. Porém, ao mesmo tempo que a prova estava mais fácil, ela estava mais conteudista e trouxe pouca contextualização. Portanto, a prova estava menos interdisciplinar e mais conteudista. Em tese, para um aluno que fez um bom ensino médio, a prova estava mais fácil.

Em matemática, por exemplo, a prova não trouxe dificuldades para quem dominava o fundamento. O ENEM não cobra questões difíceis por padrão, geralmente, essas questões são 2 a 3 questões em meio a 45 itens de cada grande área. Além disso, um terço da prova de matemática era baseada em regra de 3, razão, proporção e porcentagem, que são componentes do ensino fundamental.

Como você avalia o impacto da pandemia sobre o ENEM?

O impacto da pandemia no ENEM foi aparente e não tão profundo, afirma Vianney. Se pensarmos que no auge da pandemia tivemos 54% de evasão e 2 milhões e meio de pessoas que foram fazer a prova, neste ano a inscrição foi muito menor, cerca de 3 milhões e 100 mil. No entanto, a participação foi de 2 milhões de pessoas, portanto, ocorreu redução no número de inscritos mas, também, no número de abstenções. Ou seja, O ENEM não foi tão “pequeno” como estávamos imaginando.

Acredito que foi um ENEM consistente e melhor do que a edição de 2020, apesar de ter menos pessoas participando. A inscrição teve menos pessoas inscritas, porém, mais engajadas. Isso acontece porque a evasão foi muito menor do que no auge da pandemia, o que é um processo natural, tendo em vista que muitas pessoas já estão com as 2 vacinas. Então, o temor que existiu na prova que ocorreu em janeiro, não se repetiu nesta edição.

O que você achou do tema da redação do ENEM 2021?

O tema da redação foi um tema neutro, visto que o problema apresentado é estatisticamente declinante no Brasil. Em 2020, o problema atingia quase 20% dos nascidos vivos, agora, em 2021/2022, é de menos de 1%. Então, não é uma questão que deixou de existir, se tivermos uma única pessoa no Brasil sem registro civil, isso é um problema grave para aquela pessoa. Já no conjunto da sociedade, é um problema declinante, que já foi identificado e já teve as intervenções de solução.

Além disso, a análise da redação será muito na perspectiva da lógica de argumentação do aluno, já que foi preciso sustentar uma posição sobre como minimizar um problema que já é muito menor do que já foi. Diferente da persistência da violência contra a mulher (tema proposto no ENEM 2016), por exemplo, que é um problema que permanece no Brasil.

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