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BNCC: como envolver a comunidade escolar na sua implementação?

Para que este novo cenário tenha um impacto positivo para os alunos, a participação ativa da família e o entendimento sobre as diretrizes da BNCC são fundamentais.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que determina as competências e habilidades que os alunos devem desenvolver durante a Educação Básica, tem o prazo de implementação para o Ensino Médio encerrado em 2022. Para garantir a qualidade da execução do documento, é o momento de investir em ações voltadas para a comunidade escolar como um todo.

A formação dos professores, os processos avaliativos e o projeto político-pedagógico são alguns dos pontos que precisam ser reformulados e que geram muitas dúvidas entre a comunidade escolar. Educadores, familiares e alunos precisam ser incluídos desde o princípio em todo esse processo, já que serão os maiores impactados por seus resultados.

Mas, na prática, como os gestores podem envolver a comunidade escolar na implementação da BNCC? A professora Karen Olivan nos ajuda a responder a esta pergunta.

1 → Maiores dúvidas sobre a implementação da BNCC

Mudanças, por mais positivas que sejam, sempre nos desafiam a passar por um período de adaptação. As dúvidas vão surgir de todas as partes envolvidas — e com a implementação da BNCC não é diferente.

De um lado, professores habituados a planejar suas aulas para disciplinas centradas em conteúdos. Do outro, pais que não compreendem as mudanças que vão impactar a educação de seus filhos nem como eles serão avaliados em um novo cenário voltado para competências.

Segundo a professora Karen, as dúvidas mais comuns neste contexto são referentes à mudança da abordagem em sala de aula. Agora, os professores passam a desenvolver atividades teóricas e práticas acerca do uso, da aplicabilidade, de determinados assuntos, e não somente de aspectos técnicos. Logo, o corpo docente prepara-se para uma era de mudança metodológica no que diz respeito aos aprendizados em sala de aula. 

Ela também destaca que, ao focar seu trabalho no desenvolvimento de competências e habilidades, o professor oportunizará ao estudante momentos de aprofundamento e de reconhecimento do uso destes aprendizados para a vida. Ele muda e deixa de ser transmissor de conteúdos para se tornar orientador de conhecimentos. Ou seja, transforma-se na ponte entre o estudante e seu futuro. 

2 → Como contribuir para a formação continuada do corpo docente

A formação continuada é um princípio importante para manter a qualidade da educação nas escolas. Além de as necessidades dos alunos estarem sempre mudando, as áreas do saber evoluem e os meios digitais representam novas formas de adquirir conhecimento, portanto este movimento deve se manter constante.

O hábito de atualização, que estimula uma adaptabilidade maior entre os educadores, também facilita a implementação das competências e habilidades propostas pela BNCC. Eles passam a desenvolver mais suas potencialidades e melhoram o seu processo pedagógico, por isso é essencial que coordenadores e gestores contribuam com essa formação continuada.

Segundo Karen Olivan, uma ação que surte resultados bastante positivos nas escolas é a conhecida troca de experiências, momento em que os professores compartilham dificuldades e acertos, pois, às vezes, diante de um problema comum, um dos professores tem um insight e encontra uma solução simples, facilitando, assim, o caminho do grande grupo.

Em tempos de BNCC, a professora enfatiza que a formação continuada torna-se ferramenta obrigatória, até porque a maioria dos professores que estão na ativa não tiveram sua formação inicial voltada para um trabalho de desenvolvimento de competências e habilidades. Assim, é preciso instrumentar o professor para que entenda as formas de raciocínio dos alunos e, consequentemente, consiga orientá-los para que atinjam maiores níveis de compreensão.

Workshops, oficinas, cursos e palestras são alguns meios de contribuir com a formação continuada dos professores e podem ter valor agregado quando contarem com as parcerias das editoras e dos sistemas de ensino, que, por construírem com bastante antecedência os materiais, possuem grande domínio e aprofundamento sobre o assunto, contribuindo, assim, para o sucesso das escolas.

3 → Como comunicar a BNCC para a família

Se para o corpo docente as mudanças propostas pela BNCC geram dúvidas, para as famílias dos alunos tudo é ainda mais confuso — isso quando elas têm ciência de que uma mudança está para acontecer. Por isso, a proximidade promovida pela escola se torna ainda mais importante.

Alguns recursos podem ser usados para facilitar a comunicação:

Reuniões de pais e mestres: este é o meio mais tradicional de repassar comunicados importantes aos responsáveis. Uma reunião específica sobre a BNCC, que simplifique os principais pontos e mudanças, pode ser um dos principais caminhos. Aqui já é importante deixar bem claros os papéis da escola e da família no apoio do aluno.

Workshops: Uma forma mais interativa de apresentar o tema é através de workshops. Aqui a família e o aluno podem participar juntos para entenderem na prática as principais mudanças.

Oficinas: elas podem ser focadas em ajudar os pais no desempenho do seu papel. É possível buscar feedbacks sobre os pontos em que eles têm mais dificuldade em auxiliar os filhos e planejar oficinas a partir daí. A participação da família é fundamental para melhorar as habilidades emocionais do estudante, que irão se refletir em todos os aspectos da sua vivência escolar.

Mídias sociais da instituição: elas são um caminho fácil e acessível para comunicar toda a comunidade escolar sobre todas as mudanças e melhorias propostas. Devido à possibilidade de interação, é possível testar vários formatos, como vídeos, testes e desafios, que ajudem a desmistificar o tema e deixar a família melhor informada. Isso, inclusive, pode auxiliá-las a tirar um melhor proveito das propostas anteriores.

Trazer a comunidade escolar para perto é a melhor forma de implementar mudanças que vão se refletir na qualidade do ensino oferecido. Por isso, comunique, solucione dúvidas, proponha discussões e busque feedbacks. Isso só tem a acrescentar positivamente no processo como um todo.

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