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Como fazer um plano de aula transdisciplinar

Trabalhar diferentes contextos de forma conectada proporciona ao aluno uma visão holística sobre o conhecimento e traz impactos positivos para o seu processo de aprendizado.

Muitas das competências buscadas no mercado de trabalho são aprendidas muito antes de o indivíduo começar a pensar na sua escolha profissional — grande parte ainda no ambiente escolar. A visão holística é uma delas. Para definir estratégias ou traçar metas, por exemplo, é preciso saber enxergar o todo de uma forma contextualizada, algo natural para quem está familiarizado com o ensino transdisciplinar.

A transdisciplinaridade na educação propõe mudanças importantes na forma como vemos o conhecimento. O termo, cunhado por Piaget na década de 1970, se refere à forma como conectamos disciplinas para que elas interajam ao máximo e formem um contexto único para o aluno, onde nenhuma pede a sua individualidade e não fica limitada ao âmbito cognitivo.

Mas e, na prática, como você pode inserir a transdisciplinaridade no seu plano de aula? E qual a importância de trazer o conceito para a realidade da sua instituição?  

Por que desenvolver a transdisciplinaridade em sala de aula?

“Pra que eu preciso aprender isso se nunca vou usar?”: qual docente nunca ouviu esta frase de um aluno? Mais do que desinteresse pelos estudos ou dificuldade com a matéria, essa pergunta deve acender um sinal de alerta. Se o aluno não entende o porquê de aprender um conteúdo, ele não vai conseguir enxergar como a parte se conecta com o todo — e, na sua cabeça, a matéria vai representar uma perda de tempo.

Assim como algumas linhas pedagógicas que trazem os alunos para o centro do processo de aprendizado, a transdisciplinaridade também tem como objetivo colocá-los como protagonistas, a fim de se tornarem mais questionadores e conscientes do seu papel na sociedade. Quando focamos na abordagem conteudista, perdemos uma oportunidade valiosa de estimular o aluno a ir além das fronteiras de cada disciplina. Afinal, é preciso pensar que o papel da escola não é o de formar alunos que reproduzam conteúdos de forma mecânica, mas sim indivíduos que desenvolvam autoconsciência e estejam preparados para a realidade fora dos muros da escola.

A própria BNCC incentiva a transdisciplinaridade nas escolas. As 10 Competências Gerais, que devem ser desenvolvidas pelos alunos durante a Educação Básica e servem de condutores para o ensino, devem ser tratadas de forma transdisciplinar, sem se vincularem a conteúdos isolados. Além disso, competências como Repertório cultural, Argumentação e Pensamento científico, crítico e criativo necessitam da conexão de múltiplos conhecimentos para serem plenamente atingidos.

Como fazer um plano de aula transdisciplinar

É possível construir um plano de aula transdisciplinar a partir de metodologias que se baseiam na integração de diferentes conhecimentos e desenvolvimento de competências. A Aprendizagem Baseada em Projetos, ou Project Based Learning (PBL) é uma delas.

A ideia é construir conhecimento através de experiências de aprendizado mais envolventes, das quais os alunos queiram participar, e onde a atividade prática é proposta como ferramenta. Em outras palavras, é o “aprender fazendo”.

Além da visão holística de conteúdos proporcionada pela transdisciplinaridade, o desenvolvimento de projetos permite ao aluno reconhecer o seu processo de aprendizado como parte de um todo, e não apenas como algo isolado. Veja abaixo os aspectos essenciais da metodologia que você pode usar como referência para elaborar um plano de aula transdisciplinar:

1. Proponha uma questão motivadora

É ela que dará início ao projeto. Ela deve instigar os alunos a buscarem respostas, e não pode ser simples a ponto de ser facilmente encontrada na internet.

2. Defina quais habilidades devem ser desenvolvidas

Este aspecto conversa diretamente com a questão motivadora escolhida. Você deve definir quais conjuntos de habilidades os alunos precisam trabalhar ao longo do projeto como a comunicação, a criatividade e o trabalho em grupo, por exemplo, ou mesmo autoconhecimento,  administração do tempo, resiliência e tolerância a frustrações.

3 – Estudo e pesquisa

Esta é a etapa mais longa do projeto. É nela que os alunos se tornam especialistas no assunto proposto, a fim de adquirirem o repertório necessário para ajudá-los a atingir o objetivo final.

4 – O desafio

Hora de colocar em prática os conhecimentos adquiridos na fase anterior. A todo momento os alunos recebem a orientação dos professores e, se possível, podem buscar mentores para ajudá-los com o desenvolvimento do produto final.

5 – Reflexões e feedbacks

O feedback dos professores ao longo de todo o processo é fundamental. A partir deles, é possível guiar os alunos, sempre com o cuidado de não restringir o seu processo criativo. Rodas de conversas, exercícios de autorreflexão e debates também são importantes para que os alunos tenham mais consciência sobre o seu próprio aprendizado.

6 – Resposta a pergunta inicial

Com os novos conhecimentos, é hora de os alunos voltarem para ela e responderem a partir dos seus aprendizados e dos resultados dos seus projetos.

7 – Avaliação

É hora de o professor olhar novamente para as habilidades que os alunos deveriam desenvolver e avaliar se os objetivos foram atingidos.

Por fim, a transdisciplinaridade não tem como único objetivo aproximar disciplinas, muito menos anular um conteúdo em detrimento do outro. O que ela busca é expandir a visão dos alunos de forma que, ao identificarem novas possibilidades de interpretação, eles também ampliem o que encaravam até então como uma verdade absoluta.

Apostar em uma abordagem transdisciplinar exige uma mudança de paradigmas mas, com docentes e instituições preparados, é possível tornar o processo de aprendizagem mais profundo e conectado com a realidade.

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