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Reprovação escolar: tudo que você deve saber

Ainda que necessária em alguns casos, a reprovação não pode deixar de ser vista como um problema (e um alerta) pelo sistema educacional brasileiro.

Todo final de ano vem acompanhado do medo da reprovação por parte dos alunos. Para os professores, a angústia não é menor. Esse é um tema discutido há muito tempo, porém os educadores nem sempre conseguem chegar a um consenso sobre quais são os melhores caminhos a serem seguidos.

Não podemos cair na visão simplista de que a reprovação é uma forma de punir o aluno. Ela deve ser encarada, antes de tudo, como um sinal de alerta para o sistema educacional. Afinal, quando é destinado a repetir de ano, o aluno pode estar dando o seu primeiro passo rumo à evasão escolar.

Mas então, o que fazer para que a medida seja evitada? Como avaliar a real necessidade de reprovação e diminuir seus índices? E quem, afinal, é o responsável por elas?

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → O que diz o MEC sobre a reprovação

 

2 → Como diminuir o índice de reprovação escolar

 

3 → Quando um aluno deve ser reprovado

 

4 → Responsabilidades no ensino: quem é responsável pelas reprovações

 

 

1 → O que diz o MEC sobre a reprovação

A reprovação indica que o aluno está com sua base de aprendizados fraca, tornando-o inapto para avançar para os próximos níveis. Mas ela é uma medida a ser aplicada em todas as etapas da educação? Segundo o MEC, não.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que define e regulariza a organização da educação brasileira com base nos princípios presentes na Constituição, proíbe a reprovação em sala de alfabetização. Ou seja, alunos nos primeiros anos do Ensino Fundamental não podem ser reprovados, uma vez que a alfabetização não tem um caráter avaliativo. Por isso, mesmo que os educadores não considerem que a criança está alfabetizada durante os três primeiros anos escolares, ela não pode ser retida em sala de aula.

Com a pandemia do Coronavírus, o assunto reprovação voltou a ser discutido com mais força. Segundo um parecer aprovado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), escolas públicas e privadas estão recomendadas a evitar a reprovação dos estudantes em 2020, com a possibilidade de antecipação do início do ano letivo de 2021 para garantir a aprendizagem que não tenha ocorrido no ano anterior. Essa reorganização de calendários também tem o objetivo de evitar o aumento do abandono escolar decorrente das reprovações.

 

2 → Como diminuir o índice de reprovação escolar

Atingir um desempenho suficiente para passar de ano é um desafio para muitos estudantes. A porcentagem de alunos reprovados em escolas públicas nos anos finais do Ensino Fundamental apresentou uma pequena melhora entre 2013 (12,3%) e 2018 (10,3%), mas os números permanecem preocupantes.

Diminuir o índice de reprovação escolar não é uma tarefa simples, mas é possível chegar a resultados satisfatórios. Veja algumas iniciativas que podem ajudar:

1. Aulas de reforço

É um meio para ajudar aqueles alunos que têm dúvidas sobre as matérias passadas em sala de aula e precisam estudar sozinhos. Como nesses espaços há menos alunos, o professor também consegue dar uma atenção individualizada para o aluno e reforçar os pontos em que ele tem mais dificuldade.

2. Aproxime os pais da rotina escolar

Nem todos os pais conseguem participar ativamente de toda a rotina escolar dos filhos, mas esse é um estímulo importante que está diretamente ligado ao seu desempenho. Chame os pais a participarem mais das conquistas dos filhos e instrua-os sobre os momentos de encorajar e repreender suas atitudes. Também não deixe de conversar com eles sobre a presença dos alunos em sala de aula, já que as faltas são um dos principais motivos para reprovação.

3. Diversifique suas avaliações

Busque alternativas que ajudem o aluno a evitar a reprovação. Provas de recuperação e trabalhos extras são uma forma de aumentar sua nota sem que ela seja oferecida “de graça”. Esses são recursos que facilitam para o aluno melhorar sua média ao mesmo tempo que exigem estudo e esforço.

3 → Quando um aluno deve ser reprovado

Antes de tudo, a reprovação não deve ser vista como regra. “Se não atingir a média, reprova.” Fazer um aluno repetir de ano é uma medida extrema e deve ser encarada como tal.

Se um aluno não aprendeu, algo deu errado. O que deixou de ser feito? O que poderia ser feito diferente? Quais processos de ensino podem e devem ser melhorados? Essas são questões importantes de serem levadas para reuniões para que os docentes possam refletir juntos sobre o que deve ser feito no futuro. Se uma reprovação não pode ser evitada, como fazer para que outras não aconteçam?

A reprovação deve ser a última alternativa a ser considerada. Antes dela, vêm as tentativas do educador de ajudar o aluno a melhorar o seu desempenho. Todo esse esforço é necessário para que o problema não se agrave ainda mais no futuro. Um aluno reprovado se vê como um fracassado. Além de “perder” um ano, ele também perde o vínculo com seus colegas, se sente deixado para trás e para de acreditar em seu próprio potencial.

Se a reprovação não pode ser evitada, é preciso que o aluno esteja ciente dos porquês. Só assim ele conseguirá ter uma participação mais ativa na melhora do seu próprio desempenho. O aluno não pode achar que sua reprovação foi uma implicância do professor, e o apoio da instituição de ensino como um todo é muito importante para que isso aconteça. 

 

4 → Responsabilidades no ensino: quem é responsável pelas reprovações

Afinal, de quem é a culpa em uma reprovação? Do aluno? Do professor? Da família?

É muito complicado simplesmente apontar o dedo para um deles e atribuir toda a responsabilidade. Cada caso é um caso, e todos podem ter contribuído de uma forma ou de outra para esse resultado. Independentemente disso, o fato é que a escola precisa assumir o seu papel de educadora e implantar as ações necessárias para melhorar a aprendizagem dos alunos.

A decisão pela reprovação deve ser analisada e acompanhada de perto pelo coordenador pedagógico e pelo restante do corpo docente. Ter o histórico do aluno, com registros que permitam construir um entendimento sobre o seu aprendizado e suas dificuldades, também é necessário para entender quais estratégias de ensino foram usadas para desenvolver suas habilidades e quais ajustes precisam ser feitos. Não dá para contar que apenas o esforço do aluno e a repetição de conteúdos garantirão uma aprovação no próximo ano.

Estimular os alunos é importante para que eles se sintam capazes e valorizados. Integrar a família é necessário para que a educação ultrapasse as barreiras da sala de aula. Discutir o tema com professores e coordenadores é uma forma de desenvolver coletivamente estratégias de ensino e formas de avaliação mais efetivas e inclusivas. Portanto, ao invés de apontar culpados, trabalhe para construir uma rede de apoio mútuo focada no crescimento de todos.

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